quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A jornada que começo

Em busca daquilo que desconheço

Teve um estranho arranque

Algo desesperante

A luz da lua pouco ilumina

E a esperança

Num ponto baixo culmina

O meu coração quase rebenta

Tão grande é o desejo

Que em nada se contenta

Nada encontra

Na sua busca

E sinto-me abafado

Pela depressão

Do não saber

Em dúvidas pergunto-me

O que devo representar

Pois não sei

Onde, ou como devo estar

Como vencer, como ganhar

Até mesmo amar?

Se nada encontro

Para me poder agarrar

Para poder começar?

O que sinto

Nem a tinta da caneta

Pode aliviar

Afogo e sufoco

E nada vejo

Que sirva de boia

Enfim

Talvez venha a ter a sorte

De poder viver

Aquilo para que nasci

Se é que nasci

Para viver

Março2001

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

o cavaleiro erra
erra pela vida
a vida sofrida
leva-o para a guerra


o cava
leiro erra
erra pela tormenta
a vida sofrida
que ele aguenta



o cavaleiro erra
sem destino prometido
a vida sofrida
sem perder o tino

o cavaleiro erra
mas vive a aventura
sem o sonho
seria uma tortura

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Qual o preço?

- O preço de viver um sonho é muito maior do que o preço de viver sem arriscar-se a sonhar? - perguntou o discípulo.

O mestre levou-o a uma loja de roupas. Ali, pediu que experi­mentasse um terno exatamente do seu tamanho. O discípulo obede­ceu, e ficou maravilhado com a qualidade da roupa.

Em seguida, o mestre pediu que experimentasse o mesmo terno - mas de um tamanho muito superior ao seu. O discípulo fez isto.

- Esse não serve. Está muito grande.

- Quanto custam estes ternos? - perguntou o mestre ao vendedor.

- Os dois custam o mesmo preço. Apenas o tamanho é diferente.

Na saída da loja, o mestre comentou com seu discípulo:

- Viver o sonho, ou abandonar o sonho, também custa o mesmo preço, geralmente muito caro. Mas a primeira atitude nos leva a comungar com o milagre da vida, e a segunda não nos serve para nada.


in "guerreiro da Luz online" edição 208

http://www.warriorofthelight.com/port/index.html

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Guião da Fuga


Guião para a Aventura

Prision Break em Bicicleta



Mateus 26 47:50, 59, 63:66 e 27 27:31

[...]chegou Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus. Iam da parte dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo:«Jesus é aquele que eu beijar; prendei-O». E beijou-O. Jesus disse-lhe: «Amigo, faz já o que tens a fazer». Então os outros avançaram, lançaram as mãos sobre Jesus e prenderam-n'O.
[...]os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de O condenarem à morte. [...] E o sumo sacerdote disse: «Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se Tu és o Messias, o Filho de Deus». Jesus respondeu: «É como tu acabaste de dizer. Além disso, Eu digo-vos: de agora em diante, vereis o filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu». Então o sumo sacerdote rasgou as próprias vestes e disse: «Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora mesmo acabais de ouvir uma blasfémia. Que vos parece?» Reponderam: «É réu de morte!»
[...]os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador e reuniram toda a tropa em volta de Jesus. Despiram-n'O e vestiram-Lhe um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram-Lha sobre a cabeça, e uma vara na mão direita. Então ajoelharam-se diante de Jesus e zombaram d'Ele, dizendo: «Salve, rei dos judeus!» Cuspiram n'Ele e, com a vara, bateram-Lhe na cabeça. Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho e vestiram-n'O de novo com as suas roupas; daí O levaram para ser crucificado.


Foste apanhado pelas trevas, e elas te aprisionam. Toda a negritude se apodera do teu corpo, mas tu, um explorador nato, não te rendes. Tal como Jesus, aceitas o sofrimento com a paz de quem aceita a vontade do Pai.
Agora marcharás para o cativeiro como Cristo para a Cruz. Haverão pedras no caminho, mas tu passarás. Haverão vozes que te vaiarão e te dirão que não conseguirás, mas tu ignora-las-ás. As tuas pernas hão-de fraquejar, mas tu não pararás de pedalar/caminhar. O teu coração está sereno, pois está no Pai, e no Pai permanecerá.
Vais para a prisão e da prisão te libertarás, como Cristo da cruz, que se libertou, e nos libertou a todos nós.
Explorador, eis a tua própria... Via Sacra!








Jo 20 1, 11:18

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. [...]11Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, 12e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. 13Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.»
14Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. 15E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.» 16Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» 17*Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: 'Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.'» 18Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele
lhe tinha dito.


O túmulo do Senhor está vazio. A cela que o aprisionava encontra-se agora aberta, e o Senhor liberto, vivendo a vida eterna. Mas o Senhor não partiu sem se anunciar aos seus irmãos. Explorador, faz o mesmo! Esta é a tua fuga.
Mas não a executes só e pela calada da noite. Anuncia-te sem medo! Anuncia o reino da liberdade aos teus irmãos, para que te possam acompanhar. Enche-te de coragem e corre!!!
Corre com alegria, na sua companhia, e na companhia de Jesus, que te protege e auxilia a cada passo.



Jo 20 19:23

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 20*Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. 21E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» 22Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. 23*Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»


O Senhor ressuscitou, vencendo a própria morte. Libertou a humanidade de todo o pecado.
Assim empreendes agora a tua fuga. A fuga de toda a negatividade, da maldade, da cupidez, maledicência, egoísmo, inveja e indiferença.
A fuga que empreendes agora é em direcção à liberdade. E encontra-la-ás no Reino de Deus, a terra onde cada irmão ama o próximo como a si mesmo. A terra onde a paz se respira e o amor se bebe.
Caminha explorador em direcção a esta liberdade! Despe-te de todos os grilhões e veste apenas o amor, a caridade e a virtude!
Aleluia!!!



Jo 20, 24:29

Tomé, chamado Gémeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos disseram: “Nós vimos o Senhor” Tomé disse: ”Se não vir as marcas dos pregos nas mãos de Jesus, se não colocar o meu dedo na marca dos pregos e se não meter a mão no seu lado, não acreditarei”.
Uma semana depois, os discípulos estavam outra vez reunidos. Desta vez Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou. Ficou ao meio deles: “A paz esteja convosco”. Depois a Tomé: “Chega aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e mete-a no meu lado. Não sejas incrédulo, mas crente”. Tomé respondeu a Jesus: “Meu Senhor, meu Deus!” Jesus disse: “Acreditaste porque viste. Felizes os que acreditam sem terem visto”.


Aceitas-te a missão e fugiste, mas ao longo do caminho surgem-te dúvidas. Mesmo sabendo para onde caminhas, mesmo com o exemplo que quem já se libertou, mesmo assim, tens dúvidas. Mas diz-me irmão: tens fé? Se tens fé, tens coragem! Se tens fé, tens força! Se tens fé, és perseverante! Se tens fé, nada te falta! Vês agora a luz ao fundo do túnel? Vês agora o reino de amor que te espera? Se vês, corre como se não houvesse amanhã! Se não, corre de igual modo, e lembra-te a cada passo: “Felizes os que acreditam sem terem visto.” e acredita!



Lc 24, 13:32

Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; 14e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. 15Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; 16*os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.
17Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. 18E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» 19Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. 21*Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada 23e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. 24Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.»
25Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! 26*Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?» 27*E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito.28 Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. 29*Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. 30*E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. 31Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»


Já vai longa a fuga, e longo ainda é o caminho. Abre os olhos irmão, porque se o perigo ainda espreita, Jesus não te deixa. Vai alerta, sempre alerta. Só assim reconhecerás o Senhor, nas diversas formas em que Ele te aparece para te ajudar. Deixa-O penetrar no teu coração, apura os sentidos. Deixa que Jesus guie os teus destinos, que o mal não te alcançará!
Renasceremos juntos!




Jo 21, 1:14

1*Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: 2estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. 3Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. 4Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. 5Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» 6Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.»
Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar. 7*Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. 8*Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros.9Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. 10Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» 11Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. 12Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe.14Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.


A fuga para a liberdade não acontece sem alimento. Sem alimento, o corpo fraqueja. Sem alimento esmorece a alma. Se tens fé no Senhor, que é teu pastor, nada te faltará. Alimenta-te no Senhor, que o Seu próprio corpo te oferece, e as forças sobejar-te-ão.
Explorador, para a caminhada e para a vida, BOM APETITE!!!



Act, 2, 1:12

Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. 2*De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam.3*Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4*Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas,conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem.
5Ora, residiam em Jerusalém judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou estupefacta, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua.7Atónitos e maravilhados, diziam: «Mas esses que estão a falar não são todos galileus? 8Que se passa, então, para que cada um de nós os oiça falar na nossa língua materna? 9*Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus!»12Estavam todos assombrados e, sem saber o que pensar, diziam uns aos outros: «Que significa isto?»


Eis que tomas o cálice da liberdade e o provas. Ao teu coração falou o Espírito Santo, e tudo compreendeste, ainda que o não possas traduzir por palavras. Atingiste o Reino da Liberdade e do Amor, fugiste das trevas onde estavas aprisionado. Agora és livre e vives na Paz. Dentro de ti vive o Espírito Santo, e ao teu lado Jesus.
Mas chegaste ao Reino, para descobrir que este é um caminho e não um destino. Um caminho de Luz, é certo, mas um caminho onde a Luz só estará acesa enquanto a levares ao coração dos teus irmãos.
Eis Explorador, a missão que te confia o senhor:
Renascer apóstolo, viver o Reino e levá-lo a todos.
A Paz Esteja Contigo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Catequese, uma caminhada

A catequese começou por ser, para mim, uma formação, tornando-se, ao longo do tempo, uma experiência e uma caminhada espiritual.
Se esperava crescer intelectualmente durante o catecumenato, nunca esperei viver de uma forma tão intensa o chamamento da Luz.
Mas para vos falar da minha experiência de catecumeno, devo introduzir, de forma resumida, o caminho de vida que aqui me trouxe.
Cresci sem formação religiosa, mas com valores cívicos sólidos. Fazer o bem nunca necessitou de motivo. Havia, no entanto, um vazio na minha alma, que em vão procurava preencher. Acreditava, como acredito, que tudo tem uma explicação, e que a religião não pode nem deve ser usada como um remendo para a ignorância.
Procurava então perceber o meu lugar no mundo, na vida, a minha razão de ser. Algo que, ainda que não de desse uma resposta concreta, me preenchesse o tal vazio na alma.
Comecei esta busca de uma forma gradual, a princípio sem grande comprometimento, mais tarde com profundo empenho. Contactei com diversas ideias, teorias e religiões. Fui separando o trigo do joio, confrontando ensinamentos e exemplos. E foi aqui que a figura de Jesus de Nazaré começou, para mim, a ganhar relevo.
Jesus apresenta-se-me então como mestre que ensina e pratica os seus próprios ensinamentos, dando o exemplo dando-se a si mesmo. Como muitos outros, Jesus apresenta-se poderoso. No entanto, , é no abdicar desse poder que Jesus cresce e se distancia dos muitos outros supostos mestres, deuses, e/ou eminentes figuras.
Ao longo desta caminhada espiritual, aprendi que é necessário sossegar o turbilhão da alma, de modo a poder escutar o que a vida, Deus, nos tem para dizer. Foi assim que um dia ouvi dentro de mim um chamamento. Não para a catequese propriamente dita, mas para apadrinhar uma alma que aprove ao Senhor que viesse a este mundo.
Por imperativos lógicos, e porque não se apadrinha alguém sem uma base e convicção religiosa sólida, respondi a este chamamento, participando de coração aberto na catequese. Quis o Senhor agraciar-me com mestres de uma qualidade e dedicação inexcedíveis, e com um grupo onde reina e cresce a cada encontro o respeito, a amizade e sobretudo, a fé.
Crescer na fé foi, apesar de que talvez fosse previsível que acontecesse, a maior surpresa para mim. Não que vivesse sem fé, mas atravéz da catequese comecei a viver a fé como uma relação íntima. De mim para mim, de mim para Deus, de Deus para mim.
Hoje surpreendo-me a mim próprio em interessantes colóquios com o Senhor , ao longo da jornada diária. A Ele confio os meus medos, as minhas mais íntimas preocupações , mas também as minhas esperanças, e os cuidados com aqueles que mais amo. São por vezes longas conversas onde, ouso dizer, o Senhor me escuta e, se eu tiver o espírito suficientemente aberto, solto e livre de condicionalismos, me responde. Seja, temos que estar em condições de ouvir a Deus, porquanto, assim o creio, Ele sempre nos responde.
Perguntaram-me o que havia mudado na minha vida ao longo deste ano e pouco de catequese. Para além deste crescimento na fé, e desta intimidade com o Senhor, ganhei também, irmãos. Entre alguns, digamos especiais, um há que se destaca .
Jesus. Jesus que já deixou de ser o Mestre distânte e inalcansável, passando a ser como que um irmão mais velho e mais sábio, que tomo por modelo de vida, e a quem (embora fraqueje e fracasse 99% das vezes), procuro imitar.
Com Ele estou a aprender, essêncialmente, dois valores: humildade e caridade. São coisas por vezes difíceis, servir ao outro sem nada esperar em troca, porquanto o ego ainda existe, e espreita aqui e ali, reclamando atenção.
E em vão tentei aplicar estes valores, aderindo ao movimento escutista. Digo em vão, porque recebo tanto, mas tanto mais do que aquilo que dou, que a troca não é de forma alguma, justa.
Mas aqui está a grandeza do Senhor nosso Pai, num ensinamento que apenas se pode aprender, vivendo.
Mas como se não bastasse tanta riqueza, tive também a honra de receber o Santo Sacramento do Matrimónio. Lembro-me que alguém me perguntava nas vésperas do casamento, “Mas vais-te casar pela igreja?”, ao que respondi prontamente: “Claro, de outra forma não fazia sentido!”. Só mesmo com a graça de Deus, graça aliás que agradeço profundamente ao Senhor, porquanto a sinto viva no lar, dia após dia.
Se me é possível viver tudo isto, tal o é porque tive o imenso privilégio de encontrar tão valorosos amigos na caminhada da catequese.
Assim, devo um grande “bem hajam” aos meus catequistas, e aos catecumenos que comigo partilham os trilhos da fé. Aos escuteiros, por me ensinarem como se vive a fé no dia a dia, com amor e alegria. E também a todos quantos tornam possível que a insignificância de alma que sou, possa seguir o chamameno de Deus Vivo, de Deus Pai.
Abençoada pois a Igreja que É, abençoada a Igreja que Somos, abençoado o Pai que nos abençoa e nos dá a Vida.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Consideração sobre o final dos tempos

O final dos tempos, (ou o dia do julgamento, como também é conhecido), tem sido maioritáriamente interpretado como um momento que acontecerá num ponto específico da linha temporal. Poderá ser já amanhã, daqui a alguns séculos, ou mesmo milénios, mas será sempre um acontecimento futuro.
Futuro, porque ainda não aconteceu, nem tão pouco está a acontecer neste momento (pelo menos não o fim dos tempos preconizado na Bíblia); e também porque tomamos o tempo, tal como o espaço, como uma dimensão concreta. Um milímetro é e será sempre um milímetro, tem e terá sempre a mesma distância; um segundo é e será sempre um segundo, tem e terá sempre o mesmo tempo, ou a mesma duração.
Suponhamos estar correcta esta interpretação das dimensões espaço tempo. Somos levados a crer, segundo a Bíblia, que o espírito daquele que morre fica adormecido, ou inconsciente, até ao dia da ressurreição, ou até ao final dos tempos. Está pois inactivo durante esse tempo.
Existem, no entanto, vastíssimos registos de contactos realizados com pessoas que, tendo um dia sido vivas na Terra, enquadradas nas nossas quatro dimensões, não o eram ao momento do referido contacto. Ou melhor, não na nossa concepção quadridimensional e material.
Foram então contactos realizados com pessoas, ou espíritos de pessoas, que sim, morreram, mas não se encontram no estado inactivo de espera.
Estes dois eventos parecem contradizer-se, levando-nos a duvidar da veracidade de um dos dois. No entanto, se levarmos em linha de conta dois factores, há uma possibilidade de compatibilidade entre ambos.
Por um lado sabemos que o Apocalipse é uma interpretação de S. João, portanto, uma interpretação humana, segundo o seu juízo, das imagens que lhe foram dadas a ver. Há ainda que levar em linha de conta a poetização e os sentidos figurados do texto, algo comum ao longo dos livros da Bíblia.
Por outro lado, temos as descobertas feitas no campo da física, nomedamente por A. Einstein, com a Teoria da Relatividade . Esta teoria diz-nos que o espaço e o tempo são “duas faces da mesma moeda”, e que são dimensões relativas e não concretas, afectas a questões como a velocidade e a gravidade.Assim sendo, um mesmo evento, percebido de pontos diferentes e em situação diversa, pode ter uma duração de segundos, anos ou milénios.
Numa visão religiosa, cremos que Deus não está sujeito às limitações do tempo, e que se dispõe atravéz deste de um modo que nos é impossível. Cristo, ao ser crucificado, expiou os pecados da humanidade. Não os pecados cometidos até então, mas os pecados cometidos pelo homem ao longo de todos os tempos da sua existência. Passado, então presente e futuro.
Perante esta possibilidade de se dispôr do tempo como uma dimensão mais espacial do que temporal própriamente dita, poderiamos aventar uma hipótese na qual o fim dos tempos acontece de facto, numa base regular, de cada vez que um espírito, uma vez abandonando o seu corpo carnal, se encontra em condições para entrar no Reino de Deus.
Assim, mesmo aqueles que morreram com uma diferença de anos a separá-los, podem ser recebidos ao mesmo tempo por Jesus, ainda que tal aconteça logo após a morte do corpo físico. Podem assim ter renascido, e contactado a partir do seu novo mundo com aqueles que deixaram para trás, sem que hajam grandes contradições entre o que diz a Bíblia, e a experiência vivida na Terra.

NOTA: O presente trabalho não pretende ser factual, apenas, e como indica o título, uma consideração. Está por isso aberto a ideias que o completem ou contradigam, de modo a que possa ser enriquecido ou descartado.
O Autor